Há meses sentia-se um nada sem emprego, dinheiro e “alguém”. Já estava habituado a lidar com paixões platônicas e/ou frustradas, mas jamais conviveu com tal realidade na mesma época em que passava por apuros profissionais, financeiros e pessoais, mesmo sendo jovem.
A mulher por quem estava apaixonado não lhe parecia ser tão volúvel quanto na realidade. Ao mesmo tempo em que lhe dava esperanças, sabia como dar cabo da possibilidade de um encontro e tal inconstância de discurso e atitude deixaram-no à beira do abismo de confusões e, após alguns dias e inúmeras ligações, que não lhe deixavam confortável, decidiria esquecê-la, ainda que soubesse que sua escolha lhe doeria no peito, estando atento para não haver recaídas. Neste meio tempo recebe a seguinte noticia: sua ex ainda é apaixonada por você, mesmo depois de dois anos do término do relacionamento. A notícia nada mais que lhe serviu para acalentar sua estima e apaziguar suas emoções. Não conseguia acreditar que mesmo após inúmeras e seguidas frustrações amorosas no decorrer de sua vida, pôde fazer alguém se apaixonar por ele há tanto tempo – um cara feio, tímido e certas vezes anacrônico – sem se esforçar para tal.
Seu ego inevitavelmente fora massageado, no entanto o sentimento recíproco não lhe aflorou. Não podia, nem ao menos conseguiria, enganar-se tentando revitalizar um antigo relacionamento que é fadado ao fracasso antes mesmo de reiniciar, devido às experiências vividas, tendo em mente e no coração outra mulher.
Em meio há noites passadas em claro, só pôde chegar a uma conclusão:
O impossível me convém
O fácil e cômodo não me são de direito
Não é pra mim
O núcleo de meu peito em pedaços me dá mais prazer
Que ter alguém do meu lado e não a querer
Graaaaaaaaaaaaaaaande Brunão!
belas palavras